terça-feira, 22 de maio de 2012

Uma piada vale mais do que um beijo - Monólogo

(Um rapaz jovem, ainda na casa dos vinte, diante de uma garota a qual se apaixona loucamente. Ele sabe que ela quer beijá-lo, e ele também. Mas antes de um beijo, um pensamento, um complexo vem à tona.)

- Beijo ou conto uma piadinha no ouvido dela?
- Ridículo, não?
- Um beijo arrancaria do meu corpo minha eterna adolescência e me forçaria a ser homem,
Mostraria-me todas as responsabilidades as quais jamais me sentirei pronto pra enfrentar.
Um beijo levaria-me ao crescer... Que medo de crescer!
Eu teria que me tornar mais uma peça produtora do mundo capitalista,
Teria que pagar contas, olhar a caixa de correios todo dia a fim de não deixar passar a data de vencimento dos meus compromisso monetários.
Um beijo, levaria-me a casar. SIM, casar, dividir a minha vida com um outro alguém que vai comer meus doces na geladeira, que vai necessitar do meu colo e que muito provavelmente irá me chamar pra conversar nos piores momentos possíveis. Afinal, qual é o melhor momento pra uma D.R.?
Um beijo... um beijo arrancaria-me dos braços dos meus pais... E agora, quem vai me bancar???
Só de pensar nas filas que terei que enfrentar, só de pensar em códigos de barras!!!
Um beijo, imagine só, uma simples troca de saliva.... Quem precisa de beijos? Quem precisa de companhia?
Não que eu tenha medo de crescer, é só uma resistência...
- Não tô pronto pra dormir de meias, quem sabe de conchinha, mas de meias não...
- Não tô pronto pra levantar cedo pra comprar pão e jornal na esquina.
- Sinceramente, não estou nem um pouco preparado pra varrer, cozinhar, LAVAR LOUÇAS!!!
- Não quero ser pai de família, nunca serei como meu pai, meu pai sempre soube ser pai...
- E SE EU FOR PAI?? SE FOR MENINA???
(Num tom desesperado e cada vez mais rápido)
- Tudo começa com a gravidez.
- Assim que nasce, todo o afeto que minha mulher perdularia a mim, seria agora daquele pequeno ser, que dentro de alguns anos, não muitos, iria pedir-me bonecas, maquilagens, roupas, sapatos, bolsas, celulares... e tudo isso antes das primeiras paixões... Pois assim que começam, chegam as crises, os desesperos, os quilos a menos, as dietas, os rocks depressivos, os comas alcoólicos, os piercings, as tatuagens, as noites sem dormir, as primeiras e as sempre prometidas últimas baladas, o pré-vestibular, o vestibular, a faculdade... Não, comigo não! Eu não posso, não tô pronto pra isso.


Continua.... 

Basta!

Olá, deixo um breve recado aos leitores do blog:
Estou iniciando uma nova fase da minha poesia, uma em que adotarei o estilo moderno e coloquial de escrever, seguindo as tendências do que vivemos e ouvimos hoje. 
A grande novidade é que além de poesias, prometo publicar aqui alguns monólogos e prosas que possuo no meu acervo...
Não escrevo para gregos nem troianos, escrevo pra quem acredita na força da leitura!


Abraços!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Acordar

Pesadelos que invadem minha mente,
Tão depressa que mal dá pra evitar,
Pergunto-lhes, vós ireis me acordar?
Deste sono que corrói lentamente.
Logo quando a falta te faz presente,
Eis então meu lamento, despertar
Se possível, deixe-me aqui ficar
Pra viver um amor intensamente,
Não há nada tão vil quanto partir
De mais um sonho bom que me acalanta
Meu espelho, não o vejo mais sorrir
Mas minh'alma quando só 'inda canta.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sapere Aude

Ontem pela manhã eu era sol
Só porque pela tarde virei nublado
Muitas pessoas questionam-me e eu calado
Digo que já não sei quem sou.


Eu não posso garantir ser eu pra sempre
E se o meu pra sempre hoje acaba?
Se amanhã não puder, eu, dizer mais nada?
Consentirei. Não dizem que quem cala consente?


Tenho que passar o que sei adiante,
Senão não há sentido em saber,
Melhor seria ficar num bar a beber
Observando minha linha do tempo.


Pois já dizia Immanuel Kant:
"Sapere Aude", ouse saber
Mas nunca pare de escrever
Pois quem sabe pra si nada sabe.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

E a enchente levou...

E no meio do caos a natureza trouxe sabedoria,
Pena que nem todos eles viram,
Estavam perdidos no meio da correria.


E no meio da lama muitos artigos luxuosos,
Pena que já não valiam mais nada,
Mas ainda assim permanecem pomposos.


E no meio de toda água, o fim da vaidade?
Os ricos precisando dos pobres,
Até precisei ratificar se era verdade.


E no meio de todo o lucro, o prejuízo,
Pois até pra salvar panelas,
Viu-se o Coronel perder o juízo.


E depois de acordarmos numa ilha,
A cidade reergueu-se,
Na dinâmica da partilha.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Tô sem tempo

Tô sem tempo de viver
Sem tempo de acordar
Tô sem tempo de escrever
E sem tempo de sonhar
Falta tempo para amar
Até tempo pra sorrir
Não consigo trabalhar
Tô sem tempo pra partir
Tô sem tempo para ouvir
O grito dos que me amam
Tô sem tempo pra desistir
Dos sonhos que me encantam.
Tô sem tempo pra ser
Aquilo que mesmo eu sou
Tempo, nem pra morrer
Quiçá pra saber onde estou.
E quem teve tempo gritou
Porque nem tempo tinha
Pra pensar no que se passou
Pra falar mal da vizinha
Curtindo um eterno descanso
Deitado na redezinha
Comendo uma farofinha
E vendo o tempo passar...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Untitled #13

Às vezes pensamos que somos sóbrios,
Mas bêbedos revelamos quem somos.
Homens que mudam de uma hora para outra
Não bebem para não voltar a si.

Admira-me quantas famílias Cristãs
Saciam-se com o show de sangue,
Com a prisão dos nossos semelhantes
Que só deixam falar o assassino que há em nós.

O auge da hipocrisia sempre acontece
Nos homens que discursam como perfeitos
Mas basta contar seus defeitos
E logo verás o Lúcifer da sociedade.

Salve o cafetão,
Que tem como principal prostituta
O Santo Evangelho e a cura,
E como cliente a ignorância.

Estes me dão repugnância,
Os políticos reféns do "capetalismo",
Que consomem as tripas dos pobres
E a dignidade do povo de sobremesa.